Por mais incrível que pareça, os cavalos são animais extremamente sensíveis a dores e doenças comparados a outras criações. Seu sistema imunológico se comporta diferente do que outros animais de produção, isso ascontece porque as fêmeas equinas não conseguem transferir imunidade da placenta para o feto. Deste modo, a única fonte de imunidade para o filhote torna-se o colostro, que a mãe fornece nas primeiras horas de vida.
Conforme o desenvolvimento do animal, a susceptibilidade a doenças também se torna grande. Assim, a melhor prática de manejo a ser feita para prevenir as doenças é a vacinação, enquanto jovem ou em determinadas ocasiões. Na aplicação das vacinas, em equinos a maneira de aplicação varia conforme a criação e o tipo de medicamento (especificação do fabricante). Em geral, este método de aplicação pode ser intramuscular ou subcutânea e está ligado com a velocidade da reação. Mas, o mais indicado para equídeos é o intramuscular aplicado na “tábua do pescoço” (Região do Músculo Braquiocefalico, Músculo Esternocefálico e Músculo Trapézio) (figura 1 e 2). (VENCOFARMA, 2006).
Figura 1- Local de aplicação intramuscular em equinos
Fonte: www.aboutyourhorse.com
Figura 2- Modo de aplicação da vacina
Fonte: www.thehorse.com
Principais vacinas para equinos
1.INFLUENZA
É chamado também de Gripe equina. Possui uma alta morbidade e uma baixa mortalidade por isso, é de fundamental importância vacinar os equinos. Os animais contaminados apresentam febre, calafrio, respiração acelerada, perda de apetite, lacrimejamento, corrimento nasal e ocular, inflamação da garganta, primeiro prisão de ventre depois diarréia fétida, tosse (figura 3).
A vacina contêm antígenos inativados de vários tipos de vírus influenza. O vírus é do tipo de RNA de polaridade negativa, envelopado e da família Orthomyxoviridae , gênero Influenzavirus (MURPHY et al., 1999). A vacinação é exigida para obter o GTA (guia de transporte animal) e também para eventos com grande presença de equinos como: exposição, provas, entre outras. Segundo a VENCOFARMA, a vacina INFLUENZA PLUS deve-se aplicar 2 mL intramuscular em animais a partir de 3 meses de idade. Se for a primeira vez do animal (primovacinação) deve-se aplicar três doses com intervalo de 30 dias.
Figura 3- Cavalo Resfriado
Fonte: http://amigoderaca.blogspot.com.br/2012/05/cavalos-podem-ter-contraido-influenza.html
2.RAIVA
A raiva é transmitida por morcegos hematófagos e acomete na maioria das vezes animais herbívoros domésticos. Existem muitas espécies no Brasil de morcegos, porém, a mais importante é Desmodus rotundus. A sua contaminação é feita pelo contato da saliva, no momento quando o animal é mordido ou arranhado pelo morcego (figura 4). A doença ataca o sistema nervoso central, deste modo, altera todo funcionamento normal do cérebro. Em cães e gatos ela se manifesta como raiva furiosa. Em bovinos e equinos a forma mais comum é raiva paralítica, em que o animal fica inquieto, perde apetite e procura se esconder ou deitar em um só local (MERIAL, 2015).
Figura 4- Equino atacado por morcego
Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/agronegocio/noticia/?id=100000678309&t=
As vacinas contra o vírus da raiva para animais domésticos são feitas com vírus vivo modificado ou vacinas inativadas produzidas em cultura de células. As vacinas com vírus modificado são atenuadas em laboratório, ou seja, o vírus está vivo, mas enfraquecido. Deste modo o organismo consegue promover uma resposta imune (MERIAL,2015).
Segundo a MERIAL as cepas mais utilizadas são:
-Cepa SAD (Street Alabama Dufferin).
-Cepas derivadas da SAD, como a ERA.
Segundo a MERIAL as vacinas inativadas destinadas a herbívoros, o vírus é multiplicado em cultura celular, inativado e adicionado a um ou mais adjuvantes de imunidade. Nessas vacinas, o vírus da raiva está morto. As cepas de vírus mais utilizadas para a produção dessas vacinas são:
-Cepas a vírus fixo: cepa PASTEUR e derivadas (CVS, G-52).
-Cepas a vírus modificado: FLURY e ERA.
Os animais que nunca foram vacinados, após a primeira dose devem ser revacinados após 30 dias. Para um método profilático deve-se aplicar a vacina anualmente. A via de administração pode ser subcutânea ou intramuscular para bovinos, ovinos e caprinos. Para os equinos o mais adequado é intramuscular utilizando uma agulha de 40mm x 8. (VALLÉ, 2015).
3.ENCEFALOMIELITE
A encefalomielite é uma doença infecciosa e zoonose produzida por três tipos diferentes de Alphavírus: Leste (EEE), Oeste (WEE) e Venezuela (VEE). Estes Vírus pertencem à família Togaviridae e são transmitidos por mosquitos dos gêneros Culex, Aedes, Anopheles e Culiseta. Os cavalos jovens são mais sujeitos a contrair a doença. Os sinais clínicos são febre, depressão, ranger dos dentes, ataxia, andar em círculos, paralisia, anorexia, cegueira e embotamento dos sentidos (RIET-CORREA, 2007).
Os equinos podem-se contaminar antecipadamente em 1 ou 2 semanas antes dos seres humanos, servindo de alerta para saúde pública. Para prevenção e controle, as vacinas no mercado são feitas de vírus inativado tipo Leste e Oeste. Todos os equinos devem ser vacinados conforme a indicação do laboratório uma vez por ano. Os potros nascidos de éguas não vacinadas devem receber a vacina com 2-3 meses de idade, e os potros de éguas vacinadas dos 6-8 meses de idade. A tabela de Garcia & Martins (2015) segue abaixo adaptada:
Vacina
|
Laboratório
|
Tipo
de Vírus
|
Encefalovacin
|
Bio-Vet
|
Vírus inativado tipo Leste e
Oeste
|
Equilit
|
Hertape
|
Vírus inativado tipo Leste e
Oeste
|
Equiloid
|
Fort Dodge
|
Vírus inativados tipo Leste e
Oeste associado com toxóide tetânico
|
Encefalogen
|
Vencofarma
|
Vírus inativados da
Encefalomielite equina tipo Leste e Oeste e toxóide tetânico,
|
Tabela-1: de Garcia & Martins (2015)
Fonte adaptado: http://www.mgar.com.br/zoonoses/aulas/aula_encefalomielite.htm
4.TÉTANO
É uma doença infecciosa não contagiosa que produz complicações no centro nervoso e contração em forma de espasmos nos músculos causada pela bactéria Clostridium tetani (anaeróbica). Esta enfermidade é resultante da infecção da bactéria que penetra no animal, depois de alguma ferida ou procedimento cirúrgico como castrações. Depois que a bactéria entra no organismo, ela e seus esporos produzem potentes toxinas que são transportadas pela corrente sanguínea, agem no centro nervoso e produz os espasmos musculares. Principal sintoma é posição do animal em forma de “cavalete” e cauda estendida e rígida (figura 6). O bacilo do tétano é encontrado nas camadas superficiais do solo, no pó das ruas e nas fezes dos herbívoros (figura 5).
Figura 5- Clostridium tetani
Fonte: www.health-writings.com
Figura 6- Cavalo em forma de cavalete
Fonte: www.saudeanimal.com.br
Para
prevenir esta doença também se utiliza soro antitetânico antes e depois de
intervenções cirúrgicas. O soro antitetânico é eficaz para neutralizar os
efeitos das toxinas secretadas pelo Clostridium
tetani. Os anticorpos “prontos” chamados de imunoglobulinas específicas
ligam-se diretamente à toxina neutralizando seu efeito. Este medicamento é
feito através da concentração e purificação de plasma de cavalos imunizados com
toxina antitetânica. Deve-se aplicar 5.000 U.I. (01 ampola) por via
intramuscular para prevenção. Aparecimento de sintomas clínicos de tétano,
aplicar 100 a 200.000 U.I. em dose única, por via intramuscular
(VENCOFARMA,2015).
5.RINOPNEUMONITE EQUINA
A Rinopneumonite equina, também conhecida por aborto viral de equinos é responsável pela maioria dos casos envolvendo abortos em equinos, sendo uma doença importante para ser imunizada. Na maioria das vezes, ela é causada pelo vírus EHV1 da família Herpesvirida. Este vírus manifesta na forma abortiva (figura 7), nervosa, respiratório e neonatal. Também existem e podem causar doença o EHV2 (pouco relevante, pode causar conjuntivite e faringite), EHV3 (pouco relevante, pode causar vesículas nos genitais, não causa aborto) EHV4 (antigo EHV1 pode causar surto respiratório) (ESCOLA DO CAVALO, 2015).
Figura 7- Aborto causado pela Rinopneumonite equina
Fonte: http://jairoserrano.com/2013/07/rinoneumonitis-o-aborto-viral-equino/
Os sintomas são parecidos a de uma inflamação respiratória: febre, anorexia, letargia, linfadenopatia submandibular e descarga nasal profunda, depois aparecimento de substância mucopurulência (pus). A contaminação acontece quando o animal entra em contato com secreções do útero, anexos fetais, pus e aerossóis, infectados com o vírus. A vacinação é exigida nos estabelecimentos equestres (provas, arena de hipismo, transporte, etc) por causa da gravidade da doença e da facilidade de contaminação.
A vacina PNEUMABORT-K®+1b é feita com vírus EHV1 p e 1b (diferenças entre 1p e 1b é recombinação) cultivados em substrato celular equino, inativados com formalina combinados com um adjuvante oleoso especialmente preparado. Nela, contém Timerosal, Neomicina, Polimixina B e Anfotericina B, como conservantes. Esta vacina é produzida no EUA pela Empresa Zoetis e vendida no Brasil.
Existe também a vacina H ERPES HORSE® fabricada pela VENCOFARMA feita com vírus tipos EHV1 E EHV4 inativados por betapropiolactona. A posologia destas duas vacinas é aplicação de 2 mL por via intramuscular, em animais a partir de 4 meses de idade. Em primovacinação, reforçar 30 dias após a primeira dose. Revacinar semestralmente. As fêmeas reprodutoras devem receber reforços adicionais no 5º, 7º, e 9º mês de gestação. A sistema imunológica precisa de 21 aplicações para fornecer a imunidade.
6. LEPTOSPIROSE
A Leptospirose é uma doença causada pela bactéria Leptospira do gênero da família Leptospiraceae e tratada como zoonose de grande importância pública. A bactéria tem forma de espiral (figura 8), é resistente ao frio e sensível à luz solar, desinfetantes e antissépticos. Existem muitas espécies que causam esta doença nos animais, porém, no caso de equinos as mais importante são: Leptospira Pomona, Leptospira grippotyphosa, Leptospira icterohaemorrhagiae, Leptospira bratislava. Na maioria dos mamíferos os sintomas na forma aguda são: aborto, problemas renais e digestórios. Além desses sintomas, em equinos acontece uveíte (figura 9) recorrente que é inflamação da Úvea (íris, corpo ciliar e coroide), que é considerada a maior causa mundial de perda de visão em equinos (RIBEIRO, 2013).
Figura 8-Leptospira interrogans
Fonte: www.infoescola.com
Figura 9- Uveite causado pela Leptospira
Fonte: www.jcb.com.br
Existe pouca divulgação da vacinação em equinos, mas a aplicação da vacina é muito recomendada para todos os animais em função da forma oculta desta doença. Na forma crônica os sinais clínicos são semelhantes à da babesiose (icterícia, magreza) e nem sempre é tratada e diagnosticada corretamente (VENCOFARMA,2015).
A vacina LEPTO EQUUS é feita em suspensão estéril, obtida a partir de culturas de Leptospira icterohaemorrhagiae, L. canicola, L. bratislava, L. copenhageni, L. pomona , L. grippothyphosa, L. tarassovi, L. hardjo prajitno, L. andamana, L. ballum , L. wolffii e de Leptospira pyrogenes, obtidas dos cultivos dessas bactérias, inativadas por formol e calor e adsorvidas pelo gel de hidróxido de alumínio. A aplicação é de 2 mL por via intramuscular, em animais a partir de 4 meses de idade. Em primovacinação, reforço 30 dias após a primeira dose e revacinar semestralmente. Ela tem função de prevenção e sua imunidade é adquirida a partir de 21 dias após a ultima aplicação de vacina.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HURLEY, D. J. The Immunology of Large Animals. 2007 Disponível
em:http://www.vet.uga.edu/lam/teaching/woolums/5160/LectureOne/immunology.dod.
Acesso 16 de março de 2015
VENCOFARMA.
Protocolo De Vacinação De Eqüinos. 2006 Disponível em www.pedigreedaraca.com.br/protocolo_vacinacao_equinos_2006.doc.
Acesso em 16 de março de 2015.
http://www.agricultura.gov.br/animal/sanidade-animal/calendario-de-vacinacao
MURPHY, F.A. et al. Veterinary virology.3.ed. San Diego:
Academic, 1999. 629p.
ESCOLA
DO CAVALO. Rinopneumonite é uma das
principais causas de aborto entre equinos. Disponível em http://www.escoladocavalo.com.br/2012/12/rinopneumonite-e-uma-das-principais-causas-de-aborto-entre-equinos/.
Acesso em 30 de março de 2015 março de 2015
HEINEMANN, M. B. et al. Soroprevalência do vírus da influenza
equina no Município de Uruará, PA, Brasil, Amazônia Oriental. Arq
Inst Biol, v. 76, p. 697-9, 2009.
Millen,
Eduardo - Guia do Técnico Agropecuário
"Veterinária e Zootecnia. Instituto Campineiro de Ensino Agrícola,
1984.
MERIAL.
Raiva Disponível em http://www.merial.com.br/pecuaristas/doencas/raiva/Pages/Raiva2.aspx.
Acesso em 24 de março de 2015.
VALLÉ.
Raivacel multi. Disponível em http://www.vallee.com.br/produtos/equinos/vacinas/raivacel-multi.
Acesso em 24 de março de 2015
RIET-CORREA, F. et al. Doenças de Ruminantes e Equídeos.,
Santa Maria:Palotti,. V.1, p.103-106, 2007
GARCIA,
M. MARTINS, L.S. Encefalomielite Equina.
Disponível em http://www.mgar.com.br/zoonoses/aulas/aula_encefalomielite.htm.
Acesso em 25 de março de 2015.
RIBEIRO, T.M.P. INFECÇÃO
POR Leptospira spp. EM EQUINOS. Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Escola de Veterinária e
Zootecnia da Universidade Federal de Goiás. Goiânia, 2013.
Nenhum comentário:
Postar um comentário