quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vacinas para Suínos


Características de uma boa vacina

Em relação aos leitões a vacina deve:

  • Evitar que o leitão fique doente após a infecção inicial.
  • Impedir ou diminuir a proliferação do microrganismo causador da doença nos tecidos e local onde ele geralmente entra no animal.
  • Fazer com que o agente etiológico que está no leitão doente seja dizimado.
  • Prevenir a reativação da patologia.
  • Reduzir as perdas econômicas.
  • Prevenir a proliferação da doença em animais não-vacinados.



Em relação às porcas:

  •  Defender os leitões da doença.
  • Oferecer á leitegada anticorpos colostrais que os proteja ao menos durante as primeiras semana.


Duração da vacina



A imunidade deve durar por pelo menos seis meses ou toda a vida econômica do animal.




Considerações

     Deve-se levar em consideração o tipo de criação, ou seja, se a granja é isolada ou aberta, facilitando a proliferação de doenças tendo, portanto que adotar um programa de vacinação mais amplo.
     A orientação de um profissional habilitado (médico veterinário ou zootecnista) é de extrema importância para que o proprietário tenha um programa eficiente de imunização.
      É indispensável considerar a validade da vacina, que são diferentes dependendo da sua finalidade, mesmo quando mantidas a uma temperatura ótima de conservação (de 4 a 8°C sem deixar congelar), de modo que ao fim da data de validade, a vacina ainda seja capaz de imunizar o animal.

     É importante também, que haja programas de prevenção e erradicação de doenças principalmente as infecto-contagiosas, onde muitas vezes os proprietários são obrigados a realizar a vacinação por causa da legislação regional ou nacional.

Onde aplicar a vacina?

        A grande maioria das vacinas são aplicadas via intramuscular, na “tábua” do pescoço dos suínos, há também a aplicação subcutânea que é feita na pele da parte medial da perna posterior.(figura 1).


Figura 1 – Aplicação de vacina intramuscular em leitão

Fonte: http://animais.culturamix.com/vacinas/vacinas-para-suinos-e-sua-importancia-na-saude-animal



 



Vacinas mínimas a serem aplicadas em suínos


1.COLIBACILOSE: aplicação Via Intramuscular

     Doença causada pela bactéria Escherichia coli (E. coli), desencadeando diarreia neonatal, pós-desmame, disenteria (diarréia sanguinolenta) e doença do edema pode causar a morte do leitão infectado em poucas horas, suas fezes são aquosas e de cor branco-amarelada. Essa bactéria é comum a flora intestinal dos suínos, porém no período entre nascimento e o primeiro contato com o colostro, o animal fica susceptível á infecção, portanto o ataque da bactéria após esse período tem relação direta com a ação dos anticorpos recebidos no colostro e o grau de exposição do suíno ao microrganismo. As vacinas para a colibacilose são feitas com diferentes anitígenos da E. coli  inativados.

Figura 2- Leitão com Colibacilose apresentando diarréia.

Fonte: https://gepsaa.wordpress.com/posts/

2. PARVOVIROSE: aplicação Via Intramuscular
     A Parvovirose é uma infecção causada pelo Parvovírus (família Parvoviridae), que quando atinge porcas gestantes com até 80 dias causa morte dos fetos, é ainda motivo de leitegadas de tamanho reduzido e mumificação. O vírus pode ser disseminado na criação através de fezes, urina, sêmen, secreções, fetos, placenta ou materiais contaminados. Pode ser combatida com vacina atenuada ou inativada. A imunidade também pode ser adquirida facilmente por ingestão de colostro (forma passiva) apresentando bons resultados quanto a proteção do leitão.
 

3.PNEUMONIA ENZOÓTICA: aplicação Via Intramuscular
     Quadro pneumônico causado pelo Mycoplasma hyopneumoniae que pode ser agravado por diversos fatores (ambiente desfavorável, excesso de lotação, má nutrição, infecções secundárias e falta de higiene), causa tosse seca, corrimento nasal mucoso, pelos arrepiados e sem brilho, além de perda de peso dos animais. Existem poucos estudos realizados quanto a pneumonia enzoótica, porém, a eficiência da vacina que é feita com antígeno inativado é comprovada. 

4.RINITE ATRÓFICA PROGRESSIVA: aplicação Via Subcutânea

     Doença bacteriana contagiosa do trato respiratório de suínos (Bordetella bronchiseptica e agravada pela Pasteurella multocida tipo D) causa a atrofiação das conchas nasais, espirros constantes formação de placas escuras nos cantos internos dos olhos, corrimento nasal, encurtamento e/ou desvio lateral do focinho além de um possível atraso de desenvolvimento corpóreo dependendo do estágio de desenvolvimento da doença. Vacina composta de Bordetella bronchiseptica inativada e toxina de Pasteurella multocida tipo D.
    


Figura 3 – Conchas nasais de um animal saudável, Grau 0 (zero).

Fonte: http://www.sossuinos.com.br/consultas/rinite1.htm


Figura 4 – Progresso da Rinite Atrófica no animal doente, Grau 0, 1, 2 e 3 ou 4.

Fonte: http://www.sossuinos.com.br/consultas/rinite1.htm



Figura 5 – Programa mínimo de vacinação para um rebanho suíno

Fonte: http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/vacinacao.html


Outras vacinas aplicadas em suínos


     A escolha de aplicação ou não dessas vacinas dependem de diversos fatores como o local em que a granja foi construída, se nessa área há incidência de certa doença, depende ainda do manejo, da higiene, da susceptibilidade do animal, do tipo de criação escolhida, podendo o animal ter maior ou menor contato com agentes externos. As outras vacinas são para a prevenção das seguintes doenças: Doença de Aujeszky, Doença de Glasser, Enterotoxemia causada por Clostridium perfringens tipo C, Erisipela Suína, Febre aftosa, Gastroenterite Transmissível, Leptospirose, Meningite Estreptocócica, Peste Suína Clássica, Pleuropneumonia e Salmonelose.


Referências Bibliográficas



 

BARCELLOS, David Emílio; SOBESTIANSKY, Jurij. Suinocultura Dinâmica – Utilização de vacinas em produção de suínos. Disponível em  <http://docsagencia.cnptia.embrapa.br/suino/suidin/sudi019.pdf> Acesso em 25 de março de 2015.

SILVEIRA, Paulo Roberto; AMARAL, Armando Lopes. Boas Práticas de Produção de Suínos. Disponível em: <http://www.cnpsa.embrapa.br/sgc/sgc_publicacoes/publicacao_k5u59t7m.pdf> Acesso em 25 de março de 2015.

FÁVEO, Jerônimo Antônio. Embrapa Suínos e Aves. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Suinos/SPSuinos/vacinacao.html#topo> Acesso em 27 de março de 2015.

BRITO, J. R.F.; PIFFER, I. A. Suinocultura Dinâmica – Rinite atrofia dos suínos. Disponível em: <http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/recursos/sudi007_riniteID-woFX1PUeUH.pdf>  Acesso em 27 de março de 2015.

SOUZA, Christiano Jimenez. Esquema de Vacinação de suínos. Disponível em: <http://www.saudeanimal.com.br/artig113.htm> Acesso em 31 de março de 2015.

Associação Brasileira dos Criadores de suínos (ABCS). Pneumonia Enzoótica. Disponível em: <http://www.abcs.org.br/producao/sanidade/158-pneumonia-enzootica> Acesso em 31 de março de 2015.

COUTINHO, Tania Alen. Detecção de Bordetella bronchiseptica a partir de suabes nasais pela Bacteriologia Clássica e pela Reação em Cadeia pela Polimerase. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2006. Disponível em: < https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/7573/000548685.pdf?sequence=1 > Acesso em 19 de maio de 2015.

RUIZ, Vera Azevedo; OGATA, Renato Akio. Parvovirose Suína. Instituto Biológico, Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Disponível em: < http://www.biologico.sp.gov.br/artigos_ok.php?id_artigo=100 > Acesso em 19 de maio de 2015.

CAVALCANTI, S. S. Produção de Suínos. Instituto Campineiro de Ensino Agrícola. Campinas, 1984.

 





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